Essa manhã laranja querendo salvar o céu do cinza.
Esse rei que promete fazer do dia o seu reinado.
Esse canto dos pássaros que quebram o silêncio do meu mais interno barulho.
Tudo isso e nada mais do que isso plantou em mim essa flor de pensamento: somos igualmente diferentes. E quanta beleza reside em três palavras!
Lembrei-me do que mais me agrada quando estou na grandeza de Sampa, em plena Avenida Paulista ou Viaduto do Chá: ver (não com os olhos, mas com o corpo todo) a singularidade de cada um que por ali transita. Também fiz muito essa viagem sentada nas estações ou vagões do metrô.
Quanto maior o lugar, mais tesouro de gente tem. É a vida em pleno milagre. É a vida correndo e adoro vê-la em movimento.
Somos igualmente diferentes.
O que parece igual em cada um é apenas metáfora. O que faz com que pareçamos iguais é apenas o desejo traduzido de quem nos vê.
O mais difícil exercício é olhar o outro com o corpo todo, com tudo que temos para ler o mundo, mas despindo-se dos nossos sonhos de gente. Cada um é como é. Nenhuma vida cabe no nosso sonho de vida. Cada um cabe a si próprio.
Somos igualmente diferentes.
Temos o direito de sermos diferentes quando o desejo de igualdade como condição nos desfaz. Temos o
direito de sermos iguais quando o desejo do diferente como rótulo nos submete.
E eu, cada dia, cada manhã laranja ou cinza, quero explorar mais fundo esse mergulho: descobrir em cada outro do meu dia a riqueza que lhe pertence e o torna único. Despir-me dos meus sonhos de gente em cada encontro com gente de verdade.
Eu te convido. Ah, valerá cada segundo de você.
foto: Daniel Jarr

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