Total de visualizações de página

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Cartas na manga









E nesta altura da vida eu descubro porque nunca fui habilidosa em jogos de cartas.
Nunca aprendi a jogar truco ou qualquer espécie de partida na qual a regra fosse esconder o jogo.
Nunca consegui segurar as cartas e, maliciosamente, esperar o movimento do outro.
Na vida também.
Jogo as cartas todas na mesa. Não seguro alguma na manga, como dizem.
Não lamento. Há dores e delícias em ser quem se é.
E eu gosto de ser quem sou.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Palavras






O valor das palavras
nem sempre é dado por quem as recebe
mas por quem as pronuncia.
Minha palavra
meu tesouro.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Afogada







Perdão. (se é preciso)

Era água demais.
Ondas sem paz.
Sem fôlego.

Eu até sei nadar.
Mas nestas águas
Me esqueço.

Tenho medo 
de mágoas.
Elas me sufocam.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Tristeza










De repente
viver a tristeza
com todo sangue
com toda dor

De repente
ver o chão árido do asfalto
sentir os espinhos sob os pés
deixar o coração sangrar

De repente
desmanchar o castelo de areia
diluir as nuvens oníricas
esquecer a poesia  (que havia)

De repente
o singular (e dolorido)
caminho 
possível


domingo, 23 de dezembro de 2012

Morrer aos pouquinhos







Não há como matar um amor
Sem que se morra aos pouquinhos
Sem que se retire pedaços de si a dor
Sem que se sangre
Sem que se abandone aos pedacinhos.

Automutilação e sobrevivência


Enquanto se tenta sufocá-lo em vida
Para que não mais pulse e grite
Vai-se indo também devagarinho
Na contradição entre vá e fique.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sem voz








Emudeci.
Engoli palavras áridas e gentis .
Gentileza que distancia.
Sufoquei-me em outras águas.
Um mar que silencia.