Há algo dentro de mim.
Inquieto e silencioso.
Deve ter asas porque eu o sinto livre, pronto pra voar.
Mas não deixo.
Tenho medo.
Um receio estranho, controverso:
Medo de soltar e vê-lo perecer, desfazer como encanto.
Medo de soltar e senti-lo retornar, ainda mais forte.
Há algo dentro de mim (há mesmo!).
Mas não mostro.
Tenho medo.
Um temor amigo, velho conhecido:
Medo do perigo de olhos que acusam – amargura, incompreensão.
Medo da alegria efêmera que assombra o sonho – desamor, desilusão.
Quietinho....sem voz: eu cuido.
A mim, que tudo aconteça. Sobrevivo.
Mas o que mora em mim é cristalino demais – beleza frágil.
Longas são nossas conversas ao amanhecer: eu o abraço.
O dia nos espera.
É no silêncio de quando eu rumino que nos encontramos.
