Total de visualizações de página

sábado, 14 de maio de 2011

À Minha Mãe




Me dá colo quentinho?
Feito nuvem de algodão?

Me dá abraço sem fim?
Feito relógio que não avança?

Me fala mansinho?
Como poema em canção?

Me ensina a olhar?
Como luz que não cansa?

Me diz sim ou não?
Feito seta em direção?

Me promete ficar pra sempre?
Como memória do coração?

Me acorda com um sorriso?
Como sol depois da escuridão?

Me diga que não cresci...
Assim, como criança,
Posso chorar vez em sempre,
Viver na sua esperança,
Acreditar que não me perdi.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Medo




Entre o medo e a alegria de te abraçar
Me deixei vencer pelo primeiro.
Sem coragem de sequer sussurrar
seu nome
E pedir: volte!
Não sei ao certo: covardia ou precaução?
Só sei que esse não te abraçar
doeu, doeu...
O amor...a tudo engrandece:
Um grão de poeira parece mesmo um tornado.
Oh amor...ô doce e inconseqüente amor:
Me abraça?

sábado, 16 de abril de 2011

Confissão







Um dia...
Quando esse sentimento de urgência passar...
Quando te olhar não for mais imperativo...
Quando o abraço que eu não tive deixar de me abraçar.
Neste dia...
Vou te confessar sorrindo
Que conhecer tua existência
Transformou meu corpo
(me alimento só de saudade)
Transformou meu espírito
(sou só incertezas)
Transformou meu jardim e minhas calçadas
(arrancou raízes e pedras).

Vou te contar as inúmeras vezes
Em que voltar era meu último desejo
Ou os incansáveis segundos
Em que meu pensamento te dizia:
Fique um pouco mais!


Mas só um dia...
Quando for possível a confidência sorridente
Diante da chuva que passou.
Talvez não te signifique coisa alguma
Mas enfim serei somente eu.
Agora não dá...
A lembrança do seu rosto ainda me preenche.
E dói.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Oração





Deus Todo-Poderoso, cuja força e poder minha mãe me ensinou a relembrar:
Dá-me a serenidade da brisa fresca desses dias de outono.
Ensina-me a afastar a tempestade da inquietude que desassossega meus dias.
A matar essa saudade que tenho de tudo que ainda não tive, não senti, não toquei.
Ensina-me a ser lua cheia todo dia, tácita, contemplável e sem lacunas.
A aceitar os limites e não desejar o distante, o inatingível, o diferente.
Ajuda-me a alcançar a plenitude satisfeita daqueles que velam o cotidiano.
E perdoa-me.
Amém.

domingo, 3 de abril de 2011

Receitinha para esquecer amor impossível

Vá deixando cada dia um pouquinho o apego.
Porque amor, possível ou não, traz um quentinho danado de bom..
Olhe sempre como se fosse a ultima vez (às vezes não dá pra ser o fim).
Permita-se abandonar.
Olhe a estrada à frente e busque enxergar o que está por vir
Tenha musica bem alta...e cante. Cante com todas as forças.
Olhe o que vai permanecendo lá atrás. Despeça-se.
Então chore. Chore muito.
Para lavar a alma e não inundar o coração.
Para lavar a estrada e apagar os sinais.
Não deixe migalhas de pão para achar o caminho (o amor prega peças,é arteiro).
Cada dia um pouquinho, sem pressa.
Se funciona? Chega ao ponto?
Não sei.
Estou na metade da receita.



quarta-feira, 30 de março de 2011

Segredo

Há algo dentro de mim.
Inquieto e silencioso.
Deve ter asas porque eu o sinto livre, pronto pra voar.
Mas não deixo.
Tenho medo.
Um receio estranho, controverso:
Medo de soltar e vê-lo perecer, desfazer como encanto.
Medo de soltar e senti-lo retornar, ainda mais forte.
Há algo dentro de mim (há mesmo!).
Mas não mostro.
Tenho medo.
Um temor amigo, velho conhecido:
Medo do perigo de olhos que acusam – amargura, incompreensão.
Medo da alegria efêmera que assombra o sonho – desamor, desilusão.
Quietinho....sem voz: eu cuido.
A mim, que tudo aconteça. Sobrevivo.
Mas o que mora em mim é cristalino demais – beleza frágil.
Longas são nossas conversas ao amanhecer: eu o abraço.
O dia nos espera.
É no silêncio de quando eu rumino que nos encontramos.


domingo, 21 de novembro de 2010

Encontro




Dia comum, cotidiano mesmo. Daqueles em que, distraidamente, basta por si. Cumprimos a rotina, os mesmos encontros (que não são idênticos de fato, mas por vezes não nos damos conta), o ir e o vir.
Foi assim, em um desses dias, que a vida  lhe deu um tropeção (matreira,menina,moleca de vida!).
Quando estamos assim, andando linearmente, conformamos o dia (ou deformamos?). Pode ser outra rua, nunca antes vista, mas parece sempre, tudo, nada, a mesma coisa.
Distraidamente, repetidamente, rotineiramente os carros passam, as pessoas passam,as casas passam - “Eta vida besta, meu Deus! – já dizia, em outro contexto, o poeta.
 Nesse começo de novo dia, já envelhecido pela obscuridade do conforto e do tédio, adentra aquele espaço. Tem novos encontros com gente de velha convivência (mas já não se dá conta de que são novos) e um encontro novo com alguém que não existia (puxa, a gente não sabe que as pessoas existem até encontrá-las). Nem percebe a diferença entre os encontros.
 Discurso comum, frases amareladas (Bom dia! Prazer em conhecê-lo!). Ele, de costas. Ela, desprevenida. Ele, nem te ligo. Ela, desavisada. (Podia ter fugido naquele momento, mas como fugimos daquilo que não prevemos?)
 Um momento, um só momento mudaria tudo. E o sossego pacato da vida foi arrebatado. Olhos vestidos d’água  inundaram a sua areia lisa, tão nitidamente desenhada, tão uniformemente feliz. (ilusão?)
Olha para os lados e se interroga se alguém a percebe sem ar, soterrada que foi pela luz daquele olhar. Ninguém. Nem mesmo ele. Somente ela.  Interessante como a vida parece a mesma para todos –ninguém se deu conta.
 Ali está, perplexa. Nenhuma frase seria dita – não caberia mais. No seu silêncio (sem voz, sem ar, sem chão) todas as certezas, antes tão certas, sucumbiram.
 Esteve durante muito tempo se perguntando se somente ela pôde enxergar as luzes, o brilho, a intensidade daqueles olhos. As mulheres? Nenhuma delas viu? Só o meu sossego foi embora?
 Depois, entendeu. As lacunas do seu mundo é que lhe permitiram ver. Tem gente que não tem lacunas, parece que a vida veio pronta e resolvida (tinha uma inveja danada dessa gente!). È que para preencher esses vazios é preciso algo sob medida. Só vestia nela, em mais ninguém. É assim: há pessoas que cabem certinho na gente.
 Nunca mais os dias foram os mesmos. Nem os caminhos. Nem nada que por eles passa. Já não tinha setas. As linhas da estrada se apagaram. E o brilho dos olhos continua a lhe desassossegar...
Vai se reconstruindo, mas “nada do que eu fui me veste agora” . Vem aprendendo a viver com essa inquietude.
Não almeja mais certezas, somente as provisórias. Não sonha mais com estradas sinalizadas, repletas de contornos. Sabe que os encontros são muitos...
 De vez em sempre, respira fundo (a lembrança ausente daqueles olhos lhe dói o peito). Mas encontra beleza na impossibilidade...




terça-feira, 21 de setembro de 2004

Palavras tuas










Do que tenho e não tenho de ti

Escrevo versos
Do que sei e não sei sobre ti
Componho pensamentos
Do que percebo e não percebo em ti
Desenho imagens


Sei-te tanto no pouco que tenho
Percebo-te tão além do olhar que vejo
Tenho de ti todo possível encanto
Fadas, sereias, castelos, estrelas
Tenho de ti o que mais me seduz
Tecido da memória... palavras