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domingo, 27 de novembro de 2011

Pra dizer adeus








Só hoje se deu conta do tamanho, da proporção, da grandeza da impossibilidade.
Só hoje olhou-se com a coragem precisa, exata, dolorosa como uma navalha fina perfurando seu corpo e sua existência.
Só hoje se convenceu de que nada há pra ser dito. Ou muito haveria para ser dito. Mas não será pronunciado. 
 Como a montanha majestosa que via à sua frente naquela estrada, o que existe em si é perene, inabalável, intenso, inexplicável. Como não se explica nesse tempo, nessa vida, deve ter razões que não lhe é permitido conhecer. Os céus explicariam, mas é tão longe...
Desejaria que o tempo fosse seu amigo, mas hoje ele é impedimento, obstáculo, barreira. O tempo é uma pedra imensa no caminho...e  não pode nem tem forças para retirá-la.
Despede-se, sem nunca ter dito e nunca dizer adeus. Seria incompreensível para ele. Não têm uma história, não há do que se despedir.
Despede-se desse amor....ali dentro de si. Despede-se não do sentimento. Este será guardado a mil chaves e cadeados, no lugar mais adentro, mais enclausurado e mais belo de sua alma.
Despede-se da ideia de um dia pronunciar o amor. Despede-se da ideia de um dia lhe contar como o seu corpo e sua alma se alegram quando o vê.
Despede-se das imagens que desenhou, paisagens repletas dos dois juntos.
Despede-se do gosto que sente dele, mesmo sem ter experimentado até o fim.
Despede-se do cheiro que sente ao fechar os olhos e lembrar do seu corpo, lembranças do que nunca viu.
Despede-se da saudade do que nunca teve.
Aceno pro esquecimento, velho amigo que às vezes retorna...
Agora sabe a dor de ir embora.
E ela nunca disse adeus.

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