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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pedacinhos de tudo

Dividiu a si mesma, corpo e alma, em pedacinhos de existência. Como cômodos de uma casa recheada de memórias, fotos amarelecidas, badulaques de longe e cadernos de viagem. Como gavetas de um armário atoladas de bilhetes, diários, passagens de ida e de volta. Quadradinhos de caixa de música, repletos de anéis que não se usa, de broches e enfeites que se guarda para imaginar o passado e lembrar de um futuro. Procurou em cada cantinho, de cada pedacinho, aquilo que lhe habitava provisoriamente. Sim, porque nem todo dia, nem todo tempo, são as mesmas coisas que nos tomam forma. Procurou corajosamente e descobriu: em cada cantinho, em cada pedacinho, naquele momento, tudo era uma só substância de amor. De uma intensidade insana e triste.
Até que tentou arrumar de outro jeito, providenciar uma faxina, buscar uma ação de despejo. Mas o amor quando instala morada é como inquilino petulante, só se despede quando acaba seu próprio tempo. Juntou os pedacinhos, de corpo e de alma, para viver inteira.




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