A saudade hoje é uma dor fina feito corte de folha de papel.
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Outra Monomania
Para não perder palavras
vale qualquer lugar.
Parafraseando a canção da Clarice Falcão:
Se quiser ser famosa
ou ao menos lida
vou ter que me controlar!
Um livro de poemas
sobre uma pessoa só
quem desejará ler ou comprar?
segunda-feira, 29 de julho de 2013
fantasia
uma rua
uma esquina
uma escada
um senhor e seu carrinho de sanduíche
uma avenida
as luzes
um caminho
sem volta
nunca mais serão os mesmos:
o caminho
as luzes
a avenida
o senhor e seu carrinho
a escada
a esquina
a rua
o caminho
as luzes
a avenida
o senhor e seu carrinho
a escada
a esquina
a rua
tudo vestido de dor de saudade.
Migalhas
Da história de João e Maria
sou o passarinho
que vive à mercê
das migalhas de pão
que jogas ao chão.
sábado, 27 de julho de 2013
eu
estou aqui
sou inteira
está tudo certo
está tudo bem.
não preciso de imagem
hoje não.
as imagens do incerto
estão na justa medida do que vem.
e virá
eu sei.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Cacos de vidro
Esquecer um amor é como velar nossos mortos.
O mesmo ritual.
Sem dia
Sem hora de início
Sem previsão de término.
Nos despedimos aos pouquinhos.
Revisitamos as fotos
Relemos as palavras
Re-tocamos os objetos.
Diluídas pelo tempo
As memórias se esvanecem
Como fumaça.
´
Enquanto isso
Somos o caco do caco do caco de vidro
Que se estatelou ao chão.
terça-feira, 23 de julho de 2013
mal-me-quer bem-me-quer
Nos momentos mais doces
pensava que era coisa de Deus
tipo lua
estrelas
beija-flor no girassol
brigadeiro de colher
taça de vinho em noite fria.
Nos momentos mais ácidos
pensava que era coisa do Mal
tipo vento que mata
maremoto que inunda
angústia que desagua
vício que alucina
dor em dia de solidão.
Nos momentos de agora
abandonou a indecisão
amor com ou sem dor
só pode ser divino
só pode ser amor.
Quando começa a doçura
quando termina a agonia
pode ser noite
pode ser dia.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
Qualquer negócio
Ando com uma necessidade doida de escrever longas conversas. Tenho fascínio pelos poemas, mas o nosso discurso é de fases também. Como a vida. Como nós. Preciso de prosas quilométricas para abrandar a minha alma no tempo de agora. Hoje ouvi pela primeira vez uma música que, de tão simples, me remete à infância. Mas a simplicidade exige muito esforço e, como sempre, fala intensamente.
A canção fala do amor, daquele amor desinteressado, ofertado de graça e que sequer espera correspondência direta. Amor, amor mesmo...dos bons. Daqueles que ninguém (ou quase ninguém, já que eu boto a maior fé!) acredita, sente, alimenta, reconhece. Eu reconheço, eu sinto. Sem querer imprimir a ele qualquer traço de eternidade....pode ser pra sempre ou não...mas "que seja infinito enquanto dure". Aquele tipo de afeto que até abre mão do sentimento para ver o outro feliz, em paz, no bem. Eu reconheço. Mas às vezes isso traz uma solidão danada, porque nem mesmo quem recebe coloca fé.
A canção falava sobre o que se pode fazer em nome do amor: "Qualquer negócio". É mesmo assim quando um sentimento feito esse te inunda: fazemos e sonhamos com as coisas mais simples (e, por isso mesmo, grandiosas): um cantinho de amor com um lugar pra se aconchegar que precisa de muito pouco mesmo, quase nada, mas um nada cheio da presença do outro; a gente já nem queria mais ter filhos mas faria tudo pra ter um pedacinho daquele outro dentro da gente e com a gente a vida inteira (acho que meio uma tentativa de eternizar o amor, mas quase nunca dá certo) ainda que isso seja um absurdo do tamanho desse mundão de meu Deus.
É. A gente faz qualquer negócio mesmo...qualquer coisa....qualquer luta....qualquer tudo. Às vezes o tempo verbal é outro, por força das circunstâncias: faríamos, lutaríamos. Mas isto não retira a verdade nem a beleza. Apenas acrescenta um tantão de dor, mas isso é outra história...
sábado, 20 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Indiferença
O nada.
Feito farpa afiada.
A indiferença.
Feito tanto-faz cortante.
A distância.
Feito beleza de lua cheia.
É o que havia
Nos teus olhos
Naquele dia.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
Silêncio
Não mais direi
Não saberás
Não mais falarei
Nunca escutarás
Do que eu seria capaz
ia
Do que eu faria
ia
Do que eu lutaria
ia
Do que eu amaria
ia
Só ia.
domingo, 14 de julho de 2013
Sob o véu
Guardei em lugar mais remoto
palavras que nunca pronunciarei.
Escondi em lugar mais secreto
gestos que nunca farei.
Em frasquinhos de perfume lacrei
lágrimas que nunca mostrarei.
Se me perguntas, o que direi?
Detrás do véu que me cobre
Apenas um sorriso.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Vazio
Por aqui vai passando
Feito neblina em dia de vento
Feito fumaça em dia de chuva
Feito bola de sabão em céu aberto
Feito névoa depois do sol
Feito nada em dia nenhum
Por aqui vai passando
escorrendo
dissipando
apagando
sumindo
saindo
indo
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Abstinência
Ando contando as horas e minutos, como os dependentes ajuizados quando decidem que dominarão seus vícios.
72 horas hoje.
Parece pouco, para mim é muito.
72 horas hoje.
Tenho sintomas de abstinência, uma ausência cortante dilacerando o peito, um desejo enorme de lembrar-te de que existo.
Mas são 72 horas.
Não posso voltar atrás: é questão de me ter de volta.
Somente eu posso me devolver.
sábado, 6 de julho de 2013
Renúncia
Deixo-te ir
Apaguei as palavras
Que velava como viúva diante das memórias do que se foi.
Fantasmas eram todas
Existiam sem existir.
Deixo-te ir
Guardei as palavras
Que pronunciava vez em sempre como sempre
Tentativas eram todas
Tentavam em vão.
Deixo-te ir
Rezo as palavras
Que falaria a todo instante se pudesse
Cânticos serão todas
Cuidando de ti ao longe.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Crepúsculo
Deixe-me.
Mesmo que implore o gesto.
Deixe-me.
Ainda que insista.
Deixe-me.
Minha alma cansada
Despedaçada
Atordoada
Desnorteada
Pede bússola.
No silêncio de todo fim de tarde
Na esperança do crepúsculo
Espero o gesto que nunca chega.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
resignação
fiz promessa
clamei aos santos
rezei de joelhos
percorri o terço
não deu certo
ignorei
fiz pirraça
pouco caso
empinei o nariz
não deu certo
desesperei
reguei-me em pranto
encolhi-me num canto
coloquei-me no escuro
não deu certo
resignação é meu nome.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
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