Ando com uma necessidade doida de escrever longas conversas. Tenho fascínio pelos poemas, mas o nosso discurso é de fases também. Como a vida. Como nós. Preciso de prosas quilométricas para abrandar a minha alma no tempo de agora. Hoje ouvi pela primeira vez uma música que, de tão simples, me remete à infância. Mas a simplicidade exige muito esforço e, como sempre, fala intensamente.
A canção fala do amor, daquele amor desinteressado, ofertado de graça e que sequer espera correspondência direta. Amor, amor mesmo...dos bons. Daqueles que ninguém (ou quase ninguém, já que eu boto a maior fé!) acredita, sente, alimenta, reconhece. Eu reconheço, eu sinto. Sem querer imprimir a ele qualquer traço de eternidade....pode ser pra sempre ou não...mas "que seja infinito enquanto dure". Aquele tipo de afeto que até abre mão do sentimento para ver o outro feliz, em paz, no bem. Eu reconheço. Mas às vezes isso traz uma solidão danada, porque nem mesmo quem recebe coloca fé.
A canção falava sobre o que se pode fazer em nome do amor: "Qualquer negócio". É mesmo assim quando um sentimento feito esse te inunda: fazemos e sonhamos com as coisas mais simples (e, por isso mesmo, grandiosas): um cantinho de amor com um lugar pra se aconchegar que precisa de muito pouco mesmo, quase nada, mas um nada cheio da presença do outro; a gente já nem queria mais ter filhos mas faria tudo pra ter um pedacinho daquele outro dentro da gente e com a gente a vida inteira (acho que meio uma tentativa de eternizar o amor, mas quase nunca dá certo) ainda que isso seja um absurdo do tamanho desse mundão de meu Deus.
É. A gente faz qualquer negócio mesmo...qualquer coisa....qualquer luta....qualquer tudo. Às vezes o tempo verbal é outro, por força das circunstâncias: faríamos, lutaríamos. Mas isto não retira a verdade nem a beleza. Apenas acrescenta um tantão de dor, mas isso é outra história...

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