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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Solitude







Um pode não ser pouco
Assim dois pode ser muito.
Depende do que se tem
Depende do que se traz
Depende do que se vê.
No meu mundo tão único
Nesse mundo tão seu
No silêncio do quase nada
Todas as vozes 
Todas as histórias
Ecoam.



domingo, 30 de março de 2014

Pensamentos de outono










Folhas ao chão pela manhã
Brisa suave ao cair da tarde
Cheiro: saudade que a noite prenuncia
Outro tempo arde
Outro tempo se anuncia.
 
Nesse tempo de outrora
Chegaste com mãos de flores
Nesse tempo de agora
Permaneces serenamente
Outono, canção, amores.
 
A cada tempo seu próprio tempo
De nada vale o desenho feito
Assim como o rio por entre as pedras
A vida contorna seu próprio leito.

domingo, 22 de setembro de 2013

Recolhimento


 

Assim como alguns bichos que se camuflam, o mimetismo será minha arma. Como o bicho-pau que, diante do perigo, permanece imóvel e recolhe as patas junto ao corpo, misturando-se aos gravetos das árvores.

Tentarei, como ele, permanecer indistinta do mundo que me cerca. Serei um alvo de impossível reconhecimento.

Assim como a lua cheia, na sua fase mais bela e esplendorosa, se esconde durante o eclipse, entrarei na região da umbra.

Aos que me estranharem, peço perdão. Aos que julgarem egoísmo e prepotência, peço compreensão: é um apelo da razão e, contraditoriamente, do instinto. Porque ultimamente tenho falado demais, mesmo em estado de sobriedade. Porque já não consigo manter a polidez das frases amareladas que não causam espanto. Porque já não posso me manter impassível diante dos sentimentos que gritam. Porque estou em perigo.

Assim como a lagarta se mantém em seu casulo até o momento da liberdade, tomarei para mim uma pele sobreposta que me mantenha protegida.

Preciso criar asas coloridas.

Como tropas em desvantagem, retiro as bandeiras.

Instauro em meu mundo, ditadora de mim mesma, o toque de recolher.

Porque já não fico com os olhos úmidos, mas derramo lágrimas do corpo todo.

 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Fim de outono

 
 
 
 
 
 
 


 Chegaste no prenúncio da primavera.
Haveria tempo para cessar a sede dos meus galhos.
A derrubada das minhas folhas secas.
Haveria tempo para florescer minhas pétalas.
Chegaste no certeiro minuto: intervalo entre a seca terra e a erosão.

sábado, 17 de agosto de 2013

a forceps

 
 
 
 
 
 
Rasgar um novo céu
 
a qualquer custo.
 
Dentro deste cinza
 
que inebria e desordena
 
forjar um azul.
 
Abrir o coração
 
a fórceps.
 
Dentro deste vermelho
 
que pulsa e sangra
 
extirpar o que dói.
 
 
 
 
 
 
 
 


sábado, 10 de agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

só uma




 
 
 
 
Ah, diz-me uma só palavra
 
uma só
 
três letrinhas
 
subitamente estarei salva.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

hoje!

 
 
hoje
 
hoje
 
exatamente hoje
 
nem um dia a mais
 
hoje
 
hoje
 
necessariamente hoje
 
e nem um dia a mais
 
hoje
 
hoje
 
amanhã eu me obrigo
 
a ser eu e nada mais.

domingo, 4 de agosto de 2013

à distância

 
 
 
agora 
velarei por ti ao longe 
tão longe como estou daquela estrela que vejo da minha janela 
tão longe como estou da casa em que nasci
tão longe como estou do infinito mar azul
 
agora
deixo de te sugar feito o aspirador de pó que tenho e nunca uso
deixo de te perguntar sobre o dia só pra ficar mais perto
deixo de te rondar feito o vigia da minha rua.
 
eu te cuido
tão longe como estou do esquecimento
tão longe como estou de mim desde que estive perto de ti.

luz






Aceito tão somente paz e leveza.
Dos infinitos escuros
Sei eu o caminho.


anjo

 
 

arte: Hellena Gudaitz

precisamos, às vezes, de um anjo que nos salve. de um anjo que nos dê colo. de um anjo que nos dê paz. de um anjo que nos aceite como somos. sem muitas perguntas e sem nenhuma resposta. de um anjo que nos olhe e, ao olhar, dedique-se a sentir o que somos. precisamos, às vezes, reconhecer o anjo que pode estar ao nosso lado, com todas as imperfeições que um anjo também pode ter. é preciso saber olhar. que eu saiba, que nós saibamos.


 

sábado, 3 de agosto de 2013

deserção





há um sentimento de desistência aqui dentro.
aquele momento em que depõe-se as armas.
abandona-se a luta.
coloca-se a esperança em outro lugar.
levanta-se a bandeira branca.
abandona-se o campo de batalha.
é: eu venho desistindo.
desistir por vezes é o maior ato de coragem.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

eu não sei rezar







Fiz todas as rezas
De joelhos
Coração sangrando
Alma entregue
Peito em pranto

Pedi e implorei
Prometi e assinei
Fazer jejum
Ir no Santuário
Descer o calvário
Largar o vício
Abandonar a luxúria

Qualquer suplício
Melhor do que esse
Esperar o nunca
Desejar o impossível
Amar o improvável.

Descobri que não sei rezar.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

hoje...

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A saudade hoje é uma dor fina feito corte de folha de papel.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Outra Monomania

 
 












Escrevo pelo celular.
 
Para não perder palavras
vale qualquer lugar.
 
Parafraseando a canção da Clarice Falcão:
 
Se quiser ser famosa
ou ao menos lida
vou ter que me controlar!
Um livro de poemas
sobre uma pessoa só
quem desejará ler ou comprar?
 
 
 


segunda-feira, 29 de julho de 2013

fantasia

 
 


 


uma rua
uma esquina
uma escada
um senhor e seu carrinho de sanduíche
uma avenida
as luzes
um caminho
sem volta
 
nunca mais serão os mesmos:
o caminho
as luzes
a avenida
o senhor e seu carrinho
a escada
a esquina
a rua
 
 
tudo vestido de dor de saudade.


Migalhas

 
 
 
 
 
Da história de João e Maria
sou o passarinho
que vive à mercê
das migalhas de pão
que jogas ao chão.


sábado, 27 de julho de 2013

eu

 
 
 
 
estou aqui
 
sou inteira
 
está tudo certo
 
está tudo bem.
 
não preciso de imagem
 
hoje não.
 
as imagens do incerto
 
estão na justa medida do que vem.
 
e virá
 
eu sei.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Cacos de vidro






 
Esquecer um amor é como velar nossos mortos.
 
O mesmo ritual.
 
Sem dia
 
Sem hora de início
 
Sem previsão de término.
 
Nos despedimos aos pouquinhos.
 
Revisitamos as fotos
 
Relemos as palavras
 
Re-tocamos os objetos.
 
Diluídas pelo tempo
 
As memórias se esvanecem
 
Como fumaça.
´
Enquanto isso
 
Somos o caco do caco do caco de vidro
 
Que se estatelou ao chão.