Assim como alguns bichos que se camuflam, o mimetismo será
minha arma. Como o bicho-pau que, diante do perigo, permanece imóvel e recolhe
as patas junto ao corpo, misturando-se aos gravetos das árvores.
Tentarei, como ele, permanecer indistinta do mundo que me
cerca. Serei um alvo de impossível reconhecimento.
Assim como a lua cheia, na sua fase mais bela e
esplendorosa, se esconde durante o eclipse, entrarei na região da umbra.
Aos que me estranharem, peço perdão. Aos que julgarem
egoísmo e prepotência, peço compreensão: é um apelo da razão e,
contraditoriamente, do instinto. Porque ultimamente tenho falado demais, mesmo
em estado de sobriedade. Porque já não consigo manter a polidez das frases
amareladas que não causam espanto. Porque já não posso me manter impassível
diante dos sentimentos que gritam. Porque estou em perigo.
Assim como a lagarta se mantém em seu casulo até o momento
da liberdade, tomarei para mim uma pele sobreposta que me mantenha protegida.
Preciso criar asas coloridas.
Como tropas em desvantagem, retiro as bandeiras.
Instauro em meu mundo, ditadora de mim mesma, o toque de
recolher.
Porque já não fico com os olhos úmidos, mas derramo lágrimas
do corpo todo.

Adorei, além da beleza utiliza elementos biológicos para a expressão de sentimentos.
ResponderExcluirpor isso sabia que iria gostar!
ExcluirDerramar lágrimas do corpo todo me parece uma boa maneira de lavar as dores da alma.
ResponderExcluirBeijos
Acho que é bem assim...
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